Guias práticos
Carta de apresentação: estrutura, esqueleto e exemplos
A carta de apresentação responde a uma pergunta que o CV não responde: porque é que esta pessoa quer esta vaga, e porque é que encaixa. Não precisa de ser longa nem bonita. Precisa de ser específica. Este guia dá-lhe uma estrutura, um esqueleto para preencher e exemplos curtos, todos fictícios.
Quando enviar uma carta
Envie sempre que o anúncio a pede, e geralmente também quando há um campo opcional para ela: é uma oportunidade de explicar o que o CV só sugere. É especialmente útil quando muda de área, quando tem uma interrupção no percurso, ou quando cumpre a maioria dos requisitos mas não todos.
Se o anúncio diz explicitamente para não enviar carta, não envie. E se o formulário só tem um campo curto de "motivação", use a mesma lógica deste guia em versão reduzida: duas ou três frases com uma prova concreta.
A estrutura, parte a parte
Uma carta eficaz cabe geralmente em menos de uma página, entre 250 e 400 palavras. Tem cinco partes:
- Cabeçalho e saudação. O seu nome e contactos, a data e, se souber, o nome de quem recruta. "Cara Dra. Ana Costa" é melhor do que "A quem possa interessar". Sem nome, "Caro(a) responsável pelo recrutamento" é aceitável.
- Abertura (2–3 frases). A vaga a que se candidata, onde a viu, e uma frase que ligue o seu percurso à função. Evite começar com "Venho por este meio apresentar a minha candidatura": é o que toda a gente escreve.
- Provas (1–2 parágrafos). Os dois ou três requisitos mais importantes do anúncio, cada um com um exemplo seu: o que fez, onde e com que resultado.
- Porquê esta empresa (2–3 frases). Algo concreto sobre a organização: um projeto, um serviço, a forma como trabalha. Mostra que leu sobre ela e não enviou a mesma carta a vinte empresas.
- Fecho. A disponibilidade para uma entrevista, uma frase de agradecimento e a despedida ("Com os melhores cumprimentos," seguido do nome).
Um esqueleto para preencher
Copie o esqueleto, substitua tudo o que está entre parênteses retos e depois apague o que não se aplicar. Leia-o em voz alta no fim: se uma frase serviria para qualquer pessoa, troque-a por uma que só serve para si.
[Nome Apelido] · [telefone] · [email] · [cidade] [Data] Caro(a) [nome de quem recruta / responsável pelo recrutamento], Candidato-me à vaga de [cargo] na [empresa], que vi em [onde]. Nos últimos [n] anos trabalhei em [área/função], onde [a prova mais forte, numa frase]. O anúncio pede [requisito 1]. Na [empresa anterior], [o que fiz, com que ferramenta e com que resultado]. Pede também [requisito 2]: [outra prova concreta]. [Opcional: um requisito que cumpro em parte, dito com honestidade, e como estou a completá-lo.] Interessa-me a [empresa] porque [algo concreto: um projeto, um serviço, um valor visível no trabalho]. Gostava de contribuir para [objetivo da função]. Fico disponível para uma entrevista quando for conveniente. Obrigado(a) pela atenção. Com os melhores cumprimentos, [Nome Apelido]
Exemplos curtos (fictícios)
Os nomes, empresas e números destes exemplos são inventados. Servem para mostrar o tom e o nível de detalhe, não para copiar.
O que evitar
- Repetir o CV em prosa. A carta escolhe duas ou três provas e explica-as; não percorre o percurso todo.
- Frases que servem para qualquer pessoa: "sou dinâmico, proativo e trabalho bem em equipa". Troque cada adjetivo por um facto.
- O nome errado da empresa. Acontece quando se reaproveita uma carta. Releia sempre o nome, o cargo e a saudação.
- Falar só do que quer receber. Salário, carreira e formação são importantes, mas a carta deve mostrar sobretudo o que traz para a função.
- Inventar ou exagerar. Tudo o que escrever pode ser perguntado numa entrevista.
Formato e envio
Use a mesma fonte e o mesmo cabeçalho do CV, para os dois documentos parecerem um conjunto. Envie em PDF, salvo se o anúncio pedir outro formato, com um nome claro como "Nome-Apelido-Carta-Cargo.pdf". Se a candidatura é por email, o corpo do email pode ser uma versão curta da carta (abertura, uma prova, fecho), com o CV e a carta em anexo.
Escreva a carta na língua do anúncio. Se não domina essa língua ao nível pedido, peça a alguém que reveja o texto: os erros de língua numa carta pesam mais do que num CV, porque a carta é precisamente um teste de escrita. Antes de a escrever, vale a pena adaptar o CV com o método do guia Como adaptar o CV a um anúncio: as provas que escolher lá são as mesmas que vai usar aqui.
Um primeiro rascunho em minutos
O TWODIO CV escreve um rascunho de carta a partir do seu CV e do anúncio, com as provas que mais correspondem ao que é pedido. É um ponto de partida: leia, corrija e personalize antes de enviar.